domingo, 30 de novembro de 2008

As cidades

Antigamente, as cidades eram espaços urbanos de intensa atividade, promissoras de um futuro moderno repleto de tecnologias facilitadoras da vida para todos.

A propaganda das benesses da vida moderna é algo que até hoje, no nosso tempo pos moderno, dito contemporâneo, insiste em querer encantar uma ideologia que nada tem de encantadora. É triste e chato demais falar a real de verdade, mas qual verdade ? A sua, a minha ? De que prisma ? Por qual viés ?  A partir de qual referencial nesse mundo multifacetado, plural, palimpsesto, com identidades híbridas, transbordando fragmentos de significações subjetivas, dentro de uma homogeneicização controlada mas simultaneamente transversal, buscando redefinições imagéticas, virtuais e espaciais......Ufa !


Well, num tempo em que as representações eram possíveis, as máscaras eram visíveis, o espaço urbano era reconhecível, a normalidade era previsível ?

A vida podia ser mais regrada,mas havia conflitos não ? Expectativas.... sonhos, obstáculos, medos, nepotismos de toda ordem, mas também amabilidades, sim ?

Quanto custava um prazer ? Normal ou anormal ?


Hoje tudo é normal, a espetacularização do normal, do banal, do carnal, do mortal, do portal, do bacanal......(p/ lembrar uma expressão p/lá de antiga) entre todas as fronteiras, iguala, desmobiliza. Nada mais estranha........ Será ? Será possível que nada mais causa estranhamento ?!!!!! Será que estamos todos anestesiados pela programação da super tela ??!! Nos contentamos em rir e gozar, admirar e contemplar todo o universo mágico, especialmente criado para você, para os habitantes das cidades, metrópoles e magalópoles de todos os continentes ?!

 Depois de um dia cansativo de labuta, trabalho diário árduo, chegar em casa e assistir a TV plasma último tipo, escolher entre os 203 canais da rede internacional, ou colocar um DVD último lançamento e ligar, se embriagar e se desligar de tudo que te enche a cabeça, de tudo que o mundo te pede, te solicita, te lembra.......

Não, não posso acreditar nesse discurso babaca da pos modernidade onde tudo já foi transgredido, temos notícia de tudo o que acontece no mundo em tempo real e corremos atrás de um gozo profundo em meio às maravilhas das ilhas de Dubai. Não posso crer.

Uma cidade negada, invisível, carcomida, humilhada, castigada está viva ou apenas sucumbe ?


Será que vivemos apenas uma dicotomia? O discurso e a vida real?  a second life ? Onde está toda a complexidade transbordante dos espaços híbridos multifacetados das megalópoles ?

Hábitos, habitantes, aparente desordem cotidiana circulando em movimentos transnacionais, onde estão vocês ??  

Viajante, caminhante, andarilho, adelante......sim, estou vendo lá na frente !!!!!

Estamos nos vendo de novo, olhares cruzados, emaranhados..... e em cada nó um encontro..... cheio, repleto de possibilidades.....potencialidades.....desejos, pulsões de vida e de morte. Motor ligado ! O combustível original ainda persiste, ele vive em cada ser, habitante de um ninho, uma casa, um prédio, um barraco, um abrigo, banco, praça, avião, carro, mar, barco, tenda, igloo, oca, trem, navio, torre, cabana, espaços........

Cartografias possíveis para mapas invisíveis ou risíveis, dentro de uma esfera complexa, multifacetada da polis trans ocupada por alucinados seres imaginativos, produtores de uma concretude de difícil digestão. Natureza estranha...... ela que tudo transforma em silencio começa a se mexer e dizer palavras ainda incompreensíveis porém tocantes e avassaladoras.

Estranho, mas o trabalho da natureza foi alterado e tem gente que ainda não se deu conta.....isto é muito estranho não, curioso, não temeroso, não perigoso, sim..... Viver é deliciosamente perigoso. Como dizia o poeta, a vida não tem solução. É p/ ser vivida, saboreada, compartilhada, experimentada afinal, somos todos multi, pluri, trans, poli, terrivelmente imersos nessa equação transitória, ambígua e permanentemente insólita.


Qual sua cidade preferida ? ou desejada ? ou perseguida ? Que tal conversarmos mais sobre tantas possibilidades........


Existem cidades azuis, amarelas, verdes........ cada uma tem um cheiro que as vezes acompanha uma cor que nem sempre coincidem e isso é que é interessante, ou mesmo surpreendente. Por que sabe, o marrom pode te lembrar chocolate, mas pode lembrar madeira, montanha de pedra, barro, rio lamacento, sem falar naquele  outro barro...., mas o lodo por exemplo, tem de várias cores. Tem o lodo do mangue que é muito louco porque além de cor ele tem formas incríveis, galhos e hastes cumpridas que saem do nada e tem um cheiro estranhíssimo, acho que é uma das coisas da natureza mais maluca de se descrever porque são demais..... tem mangues diferentes, não só do mar, tem lodo de mangue de rio , aham ! completamente diferente e o cheiro é outro, mas eu não sei porque eu to falando de mangue, não entendo nada disso, só sei que são fundamentais a vida, berçários na verdade, criadouros, acho que é por isso que me interessam, por sua infinita capacidade de renovação, aliás não é bem isso, eles são lugares frágeis e compostos, são um ambiente rico de nutrientes para dar conta de várias espécies de vida da fauna e da flora. Puxa devia ter feito biologia é fascinante a diversidade dos seres e das bios dos meios  das massas recheadas ......hum que fome, preciso parar de pensar em alimento porque vida precisa de alimento o tempo todo, é em função do alimento que as primeiras populações se locomoveram, acabou aqui tem que procurar ali e ai vai embora......por isso é que as cidades tem cores diferentes, alimentos típicos, próprios da vegetação do local, da temperatura...... em matéria de vinho eu nasci no lugar errado, mas o clima eu num troco. Acho que to com saudade da praia, vontade de sentir cheiro de mar, ver verde, céu aberto e muito vento na cara. Um peixinho frito que ninguém é de ferro, e azul, acho que a praia é azul, embora no deserto tudo é areia o céu é algo enorme e também azul, eu adoro o laranja nesse contexto de azul sabe ?  e adoro a imensidão, esses lugares que não terminam nunca, a gente passa por eles e fica pensando como será viver numa vastidão sem fim, com mudanças de cor o tempo todo, com pequenos animais ariscos, coloridos, ruidosos e ventos com sonoridade própria, um mundo inteiro para ser desvendado e compreendido, porque nós urbanóides, totalmente saturados de todas as complexidades possíveis, piramos só em imaginar viver num deserto, ou numa chapada brasileira mesmo, com tantas informações surpreendentes, que dá para escrever muito, pensar e respirar outros tantos mundos, né Raimundo !!  Mas o bonito mesmo é misturar tudo, um bocadinho de cada coisa gostosa de cada lugar, com estradinhas e caminhos para outros confins que serão e darão para outros fins, infinitamente........


Ana

2 comentários:

Thaís disse...

Ana, q sensorial teu tx! viajei nele, senti o cheiro de terra molhada, cheiro de mangue...mto bacana! Gostei!
Aliás, nao to me lembrando mto bem de vc... minha memória é péssima!
Bjos

.hi-fi. disse...

fugere urben
-> vambora pra Pasárgada!