sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Extraqua
Que encanta o lugar
Na frente uma platéia
Que fica a apreciar
O tom, a melodia
Que encanta o ar
Um som, uma música
Que encanta o lugar
Pessoas passam e param
Olham, desolham, cochicham
Caminham, reparam, comentam
A música e o cheiro que dançam no ar
Um som, uma música
Que encanta o lugar
Uma criança, parecendo pedra
Aprecia com os olhas
Os dedos recorrer as notas
Que soltas parecem estar
Um som, uma música
Que encanta o lugar
O mar com seu jeito
Próprio e natural
Ecoa junto as águas
A música a tocar
Um som, uma música
Que encanta o lugar
O sol vem agradecer o fim de tarde
Que acaba de sentir
A nuvem agitada diz que não ouvirá até o fim
Mas apresentará a Lua que irá iluminar
Um som, uma música
Que encanta o lugar
Começa a escurecer
As luzes das casas a ascender
Mas a música não para
Entre a maré e a brisa
Um som, uma música
Que encanta o lugar
Pássaros não voam
O vento é leve, a montanha parada e estagnada
A Lua clara e esplendorosa
Deixa os corações dos apaixonados se amar
Descrição Clássica
Sei que faz tempo que não apareço por aqui, e não é por falta de tempo e sim por vergonha na cara.
Aceito puxões de orelha.
Bem, já faz um tempo eu queria postar minha Descrição Clássica. Diferente de todo mundo da sala eu gostei da minha, só não consegui achar a foto para que vocês pudessem ver onde eu me baseie, mas vão usando a imaginação, assim que achar posterei Ok!!
-------------------------------------------------------------------------------------
Foto de 1952, 3 rapazes com características distintas mas ligados por um único amor.
Perfil, sem expressão, parados, estagnados com algo que seus olhos estão fixados, a respiração quase não existe no momento de observação.
O 1º com seu perfil ondulado que começa na testa já desnivelada no meio, passa por seu nariz pequeno, mas levemente empinado, seus lábios grossos, principalmente o inferior que ressalta e pouco queixo.
Abaixo do nariz empinado acima dos lábios carnudos existe um bigode, fino, bem feito, delicado, acompanhando o contorno do lábio superior. Preto. Bem Preto
Um dos olhos está localizado um pouco abaixo da testa, entre aberto, podendo ver uma parte de sua pálpebra, olhar atencioso, fixo, parado, com um leve brilho acentuado.
Seu olho é parceiro de uma de suas sobrancelhas. Fina, um pouco acima do olho com meia pálpebra. Preta que faz o contorno do olho mas levemente arqueada para cima no final.
Seus cabelos são lisos, com algum produto que os deixa fixado devido a onda que se tem logo acima da testa.
Uma pele com aparência delicada, lisa, sem escoriações.
O 2º é o único que mostra seu tronco. Inclinado e verticalmente para frente, o ombro largo coberto por alguma camisa de linho deixa a mostra seu pescoço comprido com o saltar do osso e o esconder do pomo. Uma sombra esconde o resto do seu pescoço devido ao queixo acentuado.
Queixo acentuado para frente, com ossos compridos que mostra o contorno do rosto. Algo deixa-o um pouco escuro, podendo ser alguma barba que foi retirada ou algo que pode ter machucado a pele. Do queixo até a bochecha.
O lábio inferior quase não aparece, brinca com o olhar parecendo continuação do queixo. É acompanhado por um lábio superior discreto, mas perceptível que tem uma leve expressão de um sorriso encabulado.
Logo acima tem um bigode mais aparente, sem acompanhar a boca, pelo contrário, esconde-a, apenas sabemos que está lá pela abertura que se dá entre o bigode e o seu nariz. Preto em excesso.
O nariz grande, com a ponto para baixo, gera uma onda logo acima que vai subindo até chegar na testa.
Testa grande e com uma ondulação a mais que os demais, porém ondulação que acompanha o seu perfil e sua estética.
Seu olho aberto por completo, fixado a algo a ser observado, com uma bolsa abaixo vai completando sua face. Tem uma sobrancelha mais discreta, quase imperceptível, vai até metade de seu olho, não acompanhando até o final.
Para finalizar seu cabelo, que começa mais acima do que o início da testa. Alto, ondulado, encaracolado, sem se importar com a indisciplina e o desajeito.
O 3º já tem o cabelo mais arrumado, jogado ao lado com produto fixador. Baixo discreto e delicado, vai acompanhando seu perfil.
Logo abaixo vem a testa reta, pequena, sem conotações já apresenta seu meio que é um tanto impossível de observar.
Seu nariz pequeno e empinado auxilia no seu diferencial que está nos olhos. Pousado sobre ele está o meio dos óculos.
Óculos esse que impede o detalhe de seus olhos, mas reflete a eles e a metade de seu rosto uma sombra, devido as lentes que auxiliam no olhar. A base preta, mas a lateral toda em fio transparente que deixa a mostra apenas as lentes.
Na composição do olhar apenas é possível ver a sobrancelha. Grossa, preta que ultrapassa seu olho pequeno.
Abaixo do nariz, seus lábios pequenos, o superior se destaca do inferior já traz o queixo pequeno, bem pequeno e levemente empinado á frente.
Seu rosto faz uma grande sombra que podemos ver uma pequena parte de seu pescoço.
Pele sem problemas, lisa e perfeita.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Sobre o Blog abandonado e coisas mais
Só eu me iludi pensando ser feliz aqui nesse recinto cibernético, denominado blog, depois da nossa oficina?
_____________________
Poxa vida! Poxa vida... Como me sinto perdido sem as propostas deliciosas da oficina! Como me sinto perdido. Um abandonado. Hahaha, Carente de letras.
Podíamos bolar propostas por aqui, mas fica dificil sendo que só um mínimo de pessoas participa.
E vejam bem: Não aceito desculpas como "Não tenho tempo". Poxa vida, poxa vida... Meses se passaram! Eu tenho até mais barba do que antes... Prometo, prometo!
_____________________
Eu pensava nisso enquanto subia a rua, numa tarde de sexta-feira. Eu estava angustiado; Tinha que levá-la à rodoviária, e não há nada pior que alguém querido partir numa tarde, pois você sempre vai ter o resto da tarde e toda a noite para ficar sozinho. Não reclamo de tardes com pessoas queridas, só digo que a noite combina mais com tais pessoas. Não sei explicar o por quê, a noite tem um cheiro, que é um tempero para uma boa companhia.
Foi então que vimos quatro livros em cima de uma mureta redonda, que fica numa esquina bem movimentada, ainda mais de sexta-feira com os bares fervilhando. Os livros estavam alinhados, como se arrumados por alguém. -Deve ser de alguém, concluímos, e seguimos nosso caminho. Eu estava intrigado, não se vê livros por aí jogados (de um modo organizado) todos os dias. Ainda mais numa tarde. Uma tarde de sexta.
Eu não quis isso! Juro que não! Mas fiquei completamente fora de mim quando, voltando pelo mesmo caminho, percebi que os livros ainda estavam lá! Não pude resistir, e andei devagar, perto da mureta para observar esses objetos fascinantes que são os livros. Os três últimos livros eram vermelhos, eram sobre idiomas, mas ironicamente, o mais próximo de mim foi o que me chamou a atenção. Preto, capa dura e desenho em dourado. Não era uma bíblia, pois um gato maligno estava desenhado aos pés de uma senhora com um longo vestido, que se espalhava por sobre toda a extensão da capa. Pude ler “Poe - Histórias Extraordinárias”.
UM PRESENTE DE DEUS! Isso! Um presente divino um livro numa tarde sexta-feira! Presenciei um milagre! Participei de um milagre. Bem sabe você que não se nega um presente. Ainda mais divino.
Eu desci a rua como se o livro sempre fora meu. Por algum motivo eu me sentia bem sem nenhum traço de remorso. Como eu poderia deixar aquele livro ali, sozinho? Digam-me! Como alguém, n’uma tarde de sexta-feira pode deixar livros ao relento?!
Folheei as páginas para ver se algo estava escrito, quem sabe uma mensagem de parabéns, uma dedicatória de algum amor, enfim, qualquer coisa. Mas nada estava escrito. Me senti poderoso, como qualquer homem que se apropria de algo que não lhe pertencia. Acontece que muitas vezes esse sentimento de poder é falso e nebuloso.
Fiz as formalidades e coloquei o livro na estante com meus outros, para que pudesse sentir-se melhor. Sabe-se lá, deve ser um tédio passar uma tarde de sexta-feira do lado de três livros de idiomas.
Três batidas apressadas bateram na porta. Tive um mau presságio e por um momento único senti um intenso remorso que durou segundos infinitos. Chacoalhei a cabeça e voltei a mim. Peguei o copo de café em cima da mesa, como se o recrutasse para meu companheiro. Como se ele pudesse me proteger. Eu estava com um medo irracional.
Girei a chave, e antes que pudesse ver quem batia na porta, fui surpreendido, e levei três tiros no peito. O rapaz de luvas foi embora, e olhando ao meu redor, vi uma poça de sangue, meu sangue, fazer uma forma disforme no tapete da sala.
O que mais me deixa confuso é que o livro continuou lá, na minha estante, com os outros livros. Não resisti e acabei por morrer naquela sexta-feira. O céu já estava escuro. Parece que a tal “transição para algo especial” realmente ocorreu para mim. Penso hoje em dia que tardes são perigosas, mão não me arrependo do meu singelo roubo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
a todos os passantes
Maysa
domingo, 28 de dezembro de 2008
Sobre a Verdadeira Intimidade
Ao menor sinal de tal intimidade, te sentiras confuso, aflito, preocupado, ansioso, e tudo mais, com problemas que nem são seus. Problemas que você nunca imaginou ter, não tem, mas que, mesmo assim, te afetam, te sobrecarregam e te deixam tão mal quanto se atingissem sua própria carne. Te cansam como se fossem alojados em suas costas. E não há só essa batalha! O problema da intimidade vai além...
Mas veja lá, em tudo na vida, existe tal dualidade! E a intimidade não é diferente, infeliz amigo. O infortúnio foram todas, ou quase todas palavras falarem da parte trabalhosa do árduo ofício do íntimo. E que seria do homem sem o trabalho? Essas dualidades da vida não são obscuras nem luminosas. São apenas... diferentes. Adiante.
Vai frustrar-te com o outro, vai querer ter o comando, quando nada pode fazer. Vai querer conduzir, confortar e batalhar, junto. Mas não pode. A intimidade nos dá a idéia de possuirmos tais poderes. Poderes divinos e vagos.
Ao menor sinal de intimidade, verdadeira intimidade, devemos amar. Amar com intimidade verdadeira, poder também divino, mas acessível a nós, se assim desejarmos. É preciso ser prudente, paciente e corajoso. Seus desejos mais profundos irão se satisfazer quando a pessoa intima em questão, a pessoa que te preocupa e que te cativa ter pernas fortes e uma mente corajosa. Aí sim terá feito sua parte. De resto, não te culpas, e abraça-o.
____________________________________
Vocês não têm noção de como estou me sentindo perdido para escrever sem as propostas das aulas! Está me fazendo uma falta danada.
Saudades de todos vocês e daquelas quintas que passaram tão rápido.
Felipe.
sábado, 27 de dezembro de 2008
2009, por acaso, quinta-feira
Perdido na cidade
Alguém está tentando acreditar
Que as coisas vão melhorar
Ultimamente
A gente não consegue
Ficar indiferente
Debaixo desse céu
Do meu apartamento
Você não sabe o quanto eu voei
O quanto me aproximei
De lá da Terra
As luzes da cidade
Não chegam nas estrelas
Sem antes me buscar
E na medida do impossível
Tá dando pra se viver
Na cidade de São Paulo
O amor é imprevisível como você
E eu
E o céu
(na voz de Zelia Duncan)
Lá vou eu. Lá vamos nós
Maysa
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Natal e leituras
Topo com certeza esse lance de discutir livros. Penso que para maior participação seria legal fazer reuniões uma vez por mês, sempre regadas a muita comida...rsrsrs, e os livros, devem ser de dominio publico para que quem não puder paga-los, possa baixa-los na internet. De resto, só falta desejar um Feliz Natal a todos.
Abraços
Will.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
e ai pessoal, cade vocês?
Amor Passarinho
Amor passarinho
Sem ninho
Em revoada
Caça
Acasala
Brinca
E as vezes
Mergulha n'água
Limpa
Súbito se vai
Some
Tarde finda (?)
Quinta-feira
domingo, 14 de dezembro de 2008
Comprometimento
E viva o BLOG
Achados e perdidos
Bom, mexendo nas coisas, encontrei um jornal chamado O Casulo, de agosto deste ano. Lá tem um poema da Érica. Então, desde agosto (acho), conheço a Érica por meio de um texto, uma imagem impressa.
Vejo que a faxina anual, como sempre, reserva surpresas. Se der, farei um diário contando sobre outros achados (e perdidos). A arrumação demora uns dias.
Isto é publicidade:
* O próximo número d’O Casulo tem poemas do Danilo. O lançamento é quarta-feira agora (17.12), às 19h, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima.
Até mais!
Maysa
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
"Canela" (Minha Des[dis]crição)

Lá menor em leves golpes. Vem devagar e acrescendo num tom cortante. O lá menor parece triste e misterioso. Logo alterna com sua forma sustenida, n’um vai e vem inebriante, fazendo esquecer sua forma triste e incita ao mistério e voluptuosidade.
Lá menor e mi, num ritmo quebrado. O mi, que é grave e sensual, parece acalentar o lá menor, embalando ainda mais o ritmo, como um nobre cavalheiro. O casal de notas ameniza o caos no braço do violão vermelho.
A madeira rubra, antiga e gasta, treme retumbando cada nota que os dedos abocanham nas seis cordas. Deslizam nas suas dezenove casas, também gastas pelo tempo. Se tal seqüência de notas tivesse um cheiro, este seria agridoce, como os condimentos do oriente médio.
O ritmo acelera. Palmas e sapateados cruzam-se, misturando-se com o cheiro das flores de canela e essências excêntricas, que são queimadas em lâmpadas de azeite. Os vestidos vermelhos de várias camadas rodopiam, e vez ou outra são carregados de um lado para o outro pelas mãos de quem os veste. Mãos com unhas afogueadas.
Os pés continuam batendo no assoalho de madeira com firmeza, ecoando ao longo da grande sala, marcando cada contratempo com precisão. Pés e mãos em harmonia giram e contornam formas sutis no ar, enquanto o ritmo quebra e volta à tona, rasgando os ares andaluzos. Subitamente a música pára, e os vestidos derramam-se pelo chão lentamente, conforme os corpos vão se deitando em cima das próprias pernas, em movimentos ternos.
Pessoal, vamos usar das "tags" (marcadores) para deixar tudo mais organizado, colocando ali em baixo as palavras principais (ou idéias) do texto. E vamos postar também!
Abraços!
fim de semana
Abraços a todos
Will
Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Rua Henrique Schaumann, 777
Esquina com a rua Cardeal Arcoverde
Pinheiros - 05413-021 São Paulo, SP
Tel.:11 3082-5023
bmalceualima@yahoo.com.br
Metrô
Estação Clínicas (Linha 2 – Verde)
A estação, localizada na avenida Doutor Arnaldo, 555, é o meio mais fácil de se chegar à Biblioteca utilizando o metrô. A uma distância de 9 quadras (aproximadamente 1,3 km), pode-se ir a pé, descendo a rua Teodoro Sampaio, ou tomar um ônibus que desça a rua Cardeal Arcoverde (647C - Term. João Dias, por exemplo) até a altura do Cemitério São Paulo.
Ônibus
Sugestões de ônibus que passam pela Biblioteca
701 A – Metrô Vila Madalena – Pq. Edu Chaves
701 U – Butantã USP – Jaçanã
715 F – Shopping Continental – Largo da Pólvora
719 P – Pinheiros – Metrô Armênia
719 R – Metrô Barra Funda – Rio Pequeno
724 A - Pinheiros - Aclimação
Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/bibliotecas_bairro/bibliotecas_a_l/alceu/index.php?p=83
Até mais!
Maysa
Encontros: Rumos Literatura
Maysa
Ensaístas, professores, sociólogos, poetas e tradutores examinam e questionam o ofício da crítica literária, cuja essência é, justamente, o exame e o questionamento.
Como se comporta a crítica diante de novos gêneros e, mais ainda, diante das metamorfoses da cultura literária? Qual o lugar da crítica nos novos meios e veículos de comunicação? Que direção tomaram as formas do discurso crítico?
Essas são algumas das indagações do Seminário Internacional Rumos Literatura, com curadoria do tradutor e professor Samuel Titan Jr.
sala itaú cultural 195 lugares
entrada franca − ingresso distribuído com meia hora de antecedência
informações 11 2168 1777 www.itaucultural.org.br
segunda 15
19h30 - Lançamento livro Protocolos Críticos
Seminário
terça 16
19h30 Crítica Literária e Crítica Cultural com José Miguel Wisnik e Martín Kohan mediação Natalia Brizuel
Seja a respeito da história, seja da música, da política ou do futebol, o crítico literário vive constantemente a tentação íntima - e a solicitação pública - de se pronunciar sobre temas que vão além da arte verbal. Como entender e avaliar esse ímpeto em tempos de crise da cultura letrada e da instituição da literatura? Nesta mesa reúnem-se Wisnik, músico, ensaísta e professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP); Martín Kohan, professor de teoria literária na Universidade de Buenos Aires; e Natalia Brizuela, professora do Departamento de Espanhol e Português da Universidade Berkeley.
quarta 17
17h30 Atualidade de Erich Auerbach com Earl Jeffrey Richards, Leopoldo Waizbort e Martin Elsky mediação Samuel Titan Jr.
Nome central da crítica e da historiografia literária no século XX, Erich Auerbach sempre evitou formular um corpo de doutrina - ao mesmo tempo que encarnava com toda nitidez certa atitude intelectual diante do século e da literatura. Qual a atualidade de sua discrição e firmeza? Debatendo o tema, estão o alemão Earl Jeffrey Richards, professor de literaturas românicas na Universidade Bergische, em Wuppertal; Leopoldo Waizbort, professor de sociologia da USP; Martin Elsky, professor da City University de Nova York; e o curador do seminário, Samuel Titan Jr., tradutor, ensaísta e professor da USP.
19h30 As Formas da Crítica com Flora Süssekind e Silviano Santiago mediação Lourival Holanda
Do tratado e da epístola à resenha e ao ensaio - a crítica das formas verbais viveu e vive uma contínua transformação verbal, a ponto de muitas vezes confundir-se com a própria criação literária. Por quais caminhos se deu essa reinvenção das formas críticas e o que devemos esperar pela frente? A mesa traz a pesquisadora da Casa de Rui Barbosa e crítica literária, Flora Süssekind; o escritor, crítico literário e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Silviano Santiago; e o ensaísta e professor da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe), Lourival Holanda.
quinta 18
17h30 Crítica e Poesia com Marco Lucchesi e Marcos Siscar mediação Gonzalo Aguilar
O século XX assistiu à transformação das relações tradicionais entre poesia e crítica: longe de se submeter como objeto passivo ao exame crítico, a poesia moderna, em suas várias vertentes, apresentou-se como lugar privilegiado do exercício da crítica. Lírica e crítica, poesia e reflexão constituem o objeto desta mesa, com a participação do poeta, tradutor de poesia e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marco Lucchesi; do professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Marcos Siscar; e do professor da Universidade de Buenos Aires, Gonzalo Aguilar.
19h30 Atualidade de Machado de Assis com João Cezar de Castro Rocha e Pedro Meira Monteiro mediação Sandra Vasconcelos
Medalhão ou subversivo, figura veneranda ou agente provocador? Machado de Assis é o tema desta mesa, que reúne jovens críticos literários para discutir menos o legado e mais o enigma desse autor crucial para a formação da literatura brasileira. O brasileiro radicado na Inglaterra, professor de literatura na Universidade de Manchester, João Cezar de Castro Rocha; o brasileiro radicado nos Estados Unidos, professor de literatura brasileira na Universidade de Princeton, Pedro Meira Monteiro; e a professora de literatura de língua inglesa na USP, Sandra Vasconcelos, debatem sobre Machado de Assis.
Oficina
terça 16 quarta 17 dezembro
14h30 às 17h Literatura ou Práticas Literárias com Heloisa Buarque de Hollanda
A roupa diz
Sou negra sim!
Sou afro, sou preta!
Sou guerreira das favelas
Sou resistência
O zumbido que incomoda seu sono
A racionalidade que combate
A sandice do seu carater podre!
Meu sangue você tem!
O mesmo sangue que te abençoou a vida
E aqueles hematomas que você desejou que todos ignorassem
A fim de não ser questionada suas ordens
Ardem, crepitam, flamejam
domingo, 7 de dezembro de 2008
Poeta de campos e espaços
site Augusto de Campos
http://www2.uol.com.br/augustodecampos
Gosto muito do poema-bomba e dos móbiles.
Viva a vaia!
Maysa
AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!!!!!!!
Maaaas, ainda não é hora de despedidas, ainda é hora de escritas, e criativas de preferência...
To postando agora umas tentativas de enumeração caótica que a Thaís fez junto comigo por msn, não sei se é bem isso, mas foi divertido de fazer, então leiam e, (eu sei que to pedindo muito) comentem se possível... ai vai:
Tentativa 1:
1- banco
2- areia
3- praia
4- montanha
5- verde
6- olhos
7- óculos
8- você
9- mala?
10- eu?
Tentativa 2
1- talvez
2- nós
3- dois
4- um dia
5- devêssemos
6- cantar
7- uma
8- nova
9- música
10- de natal
Tentativa 3 (com a diferença que nessa a Thaís condicionou que a última letra de cada palavra deveria ser a primeira da próxima e a última letra da última palavra deveria ser a mesma da primeira letra da primeira palavra)
1- pipoca
2- amendoim
3- manteiga
4- azeite
5- empadão
6- orgulho
7- omite
8- emite
9- transmite
10- elep?
Bom, é isso... abração galera!
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Ao redor do vermelho
De aula 3 |
Nem tudo é cinza na cidade. É difícil enxergar, é preciso estar bem atento, e principalmente sair da pressa alheia, Observar vagarosamente, conseguir enxegar através da neblina escura. A fuligem negra é implacável. A resistência? Em cada carro lavado na manhã de domingo, e de vez em quando no toldo na lanchonete da esquina.
Nessa esquina passam carros, param pedestres e cães. O prédio, observa a tudo isso enegrecendo junto com todo o resto. O ônibus tem a lateral verde, talvez por isso não passe por essa esquina, mas na rua de baixo. Os táxis sim se sentem bem a vontade por aqui, passam no sinal amarelo mais rápido que no verde.
Aliás táxi nessa cidade é semi-elegância, é ter motorista em carro branco, de lataria invuneráveis à fuligem, mas taxista é motorista descartável e alguns cheios de fuligem. Elegância mesmo é ter motorista em tempo integral de uniforme e carro anti-fumaça.
Verde-esfumaçado é a cor da árvore em frente ao prédio, a mesma cor da bandeira hasteada no prédio ao lado. Nada azul, talvez o céu, talvez, porque o vício na fumaça esteja me fazendo mudar de tom.
domingo, 30 de novembro de 2008
Convite!

Os preços são os seguintes: R$ 12 (inteira), R$ 6 (usuário matriculado no Sesc, dependentes, + 60 anos, estudante e prof. da rede pública), R$ 3 (trabalhador no comércio de bens e serviços matriculado no SESC e dependentes)
Quem quiser ir tb, me avisa q eu compro e levo os ingressos na próxima aula; mas precisaria me avisar até no máximo 4ªf à noite, ok?
Ah, sim, o Sesc Paulista fica bem no comecinho da avenida Paulista, ao lado do itaú cultural... facinho de chegar; só descer no metrô brigadeiro. Quem sabe nao é uma boa oportunidade de convivermos fora do ccsp? Ah, sim e tem a comedoria do sesc, um ambiente mto gostoso, com uma vista bem bonita. Podemos depois ir pra lá, tomar um chá e papear!
Bjinhos,Thaís
(aguardo adesões, heim?)
Javanaise
(Paroles et Musique: Serge Gainsbourg)
mon amour
avant d'avoir eu vent de vous
mon amour-
ne vous déplaise en dansant la Javanaise
nous nous aimions le temps d'une chanson
de l'amour
de vous a moi vous m'avez eu
mon amour
a l'amour
j'avais envie de voir en vous
cet amour
sans amour
mais c'est vous qui l'avez voulu
mon amour
As cidades
Antigamente, as cidades eram espaços urbanos de intensa atividade, promissoras de um futuro moderno repleto de tecnologias facilitadoras da vida para todos.
A propaganda das benesses da vida moderna é algo que até hoje, no nosso tempo pos moderno, dito contemporâneo, insiste em querer encantar uma ideologia que nada tem de encantadora. É triste e chato demais falar a real de verdade, mas qual verdade ? A sua, a minha ? De que prisma ? Por qual viés ? A partir de qual referencial nesse mundo multifacetado, plural, palimpsesto, com identidades híbridas, transbordando fragmentos de significações subjetivas, dentro de uma homogeneicização controlada mas simultaneamente transversal, buscando redefinições imagéticas, virtuais e espaciais......Ufa !
Well, num tempo em que as representações eram possíveis, as máscaras eram visíveis, o espaço urbano era reconhecível, a normalidade era previsível ?
A vida podia ser mais regrada,mas havia conflitos não ? Expectativas.... sonhos, obstáculos, medos, nepotismos de toda ordem, mas também amabilidades, sim ?
Quanto custava um prazer ? Normal ou anormal ?
Hoje tudo é normal, a espetacularização do normal, do banal, do carnal, do mortal, do portal, do bacanal......(p/ lembrar uma expressão p/lá de antiga) entre todas as fronteiras, iguala, desmobiliza. Nada mais estranha........ Será ? Será possível que nada mais causa estranhamento ?!!!!! Será que estamos todos anestesiados pela programação da super tela ??!! Nos contentamos em rir e gozar, admirar e contemplar todo o universo mágico, especialmente criado para você, para os habitantes das cidades, metrópoles e magalópoles de todos os continentes ?!
Depois de um dia cansativo de labuta, trabalho diário árduo, chegar em casa e assistir a TV plasma último tipo, escolher entre os 203 canais da rede internacional, ou colocar um DVD último lançamento e ligar, se embriagar e se desligar de tudo que te enche a cabeça, de tudo que o mundo te pede, te solicita, te lembra.......
Não, não posso acreditar nesse discurso babaca da pos modernidade onde tudo já foi transgredido, temos notícia de tudo o que acontece no mundo em tempo real e corremos atrás de um gozo profundo em meio às maravilhas das ilhas de Dubai. Não posso crer.
Uma cidade negada, invisível, carcomida, humilhada, castigada está viva ou apenas sucumbe ?
Será que vivemos apenas uma dicotomia? O discurso e a vida real? a second life ? Onde está toda a complexidade transbordante dos espaços híbridos multifacetados das megalópoles ?
Hábitos, habitantes, aparente desordem cotidiana circulando em movimentos transnacionais, onde estão vocês ??
Viajante, caminhante, andarilho, adelante......sim, estou vendo lá na frente !!!!!
Estamos nos vendo de novo, olhares cruzados, emaranhados..... e em cada nó um encontro..... cheio, repleto de possibilidades.....potencialidades.....desejos, pulsões de vida e de morte. Motor ligado ! O combustível original ainda persiste, ele vive em cada ser, habitante de um ninho, uma casa, um prédio, um barraco, um abrigo, banco, praça, avião, carro, mar, barco, tenda, igloo, oca, trem, navio, torre, cabana, espaços........
Cartografias possíveis para mapas invisíveis ou risíveis, dentro de uma esfera complexa, multifacetada da polis trans ocupada por alucinados seres imaginativos, produtores de uma concretude de difícil digestão. Natureza estranha...... ela que tudo transforma em silencio começa a se mexer e dizer palavras ainda incompreensíveis porém tocantes e avassaladoras.
Estranho, mas o trabalho da natureza foi alterado e tem gente que ainda não se deu conta.....isto é muito estranho não, curioso, não temeroso, não perigoso, sim..... Viver é deliciosamente perigoso. Como dizia o poeta, a vida não tem solução. É p/ ser vivida, saboreada, compartilhada, experimentada afinal, somos todos multi, pluri, trans, poli, terrivelmente imersos nessa equação transitória, ambígua e permanentemente insólita.
Existem cidades azuis, amarelas, verdes........ cada uma tem um cheiro que as vezes acompanha uma cor que nem sempre coincidem e isso é que é interessante, ou mesmo surpreendente. Por que sabe, o marrom pode te lembrar chocolate, mas pode lembrar madeira, montanha de pedra, barro, rio lamacento, sem falar naquele outro barro...., mas o lodo por exemplo, tem de várias cores. Tem o lodo do mangue que é muito louco porque além de cor ele tem formas incríveis, galhos e hastes cumpridas que saem do nada e tem um cheiro estranhíssimo, acho que é uma das coisas da natureza mais maluca de se descrever porque são demais..... tem mangues diferentes, não só do mar, tem lodo de mangue de rio , aham ! completamente diferente e o cheiro é outro, mas eu não sei porque eu to falando de mangue, não entendo nada disso, só sei que são fundamentais a vida, berçários na verdade, criadouros, acho que é por isso que me interessam, por sua infinita capacidade de renovação, aliás não é bem isso, eles são lugares frágeis e compostos, são um ambiente rico de nutrientes para dar conta de várias espécies de vida da fauna e da flora. Puxa devia ter feito biologia é fascinante a diversidade dos seres e das bios dos meios das massas recheadas ......hum que fome, preciso parar de pensar em alimento porque vida precisa de alimento o tempo todo, é em função do alimento que as primeiras populações se locomoveram, acabou aqui tem que procurar ali e ai vai embora......por isso é que as cidades tem cores diferentes, alimentos típicos, próprios da vegetação do local, da temperatura...... em matéria de vinho eu nasci no lugar errado, mas o clima eu num troco. Acho que to com saudade da praia, vontade de sentir cheiro de mar, ver verde, céu aberto e muito vento na cara. Um peixinho frito que ninguém é de ferro, e azul, acho que a praia é azul, embora no deserto tudo é areia o céu é algo enorme e também azul, eu adoro o laranja nesse contexto de azul sabe ? e adoro a imensidão, esses lugares que não terminam nunca, a gente passa por eles e fica pensando como será viver numa vastidão sem fim, com mudanças de cor o tempo todo, com pequenos animais ariscos, coloridos, ruidosos e ventos com sonoridade própria, um mundo inteiro para ser desvendado e compreendido, porque nós urbanóides, totalmente saturados de todas as complexidades possíveis, piramos só em imaginar viver num deserto, ou numa chapada brasileira mesmo, com tantas informações surpreendentes, que dá para escrever muito, pensar e respirar outros tantos mundos, né Raimundo !! Mas o bonito mesmo é misturar tudo, um bocadinho de cada coisa gostosa de cada lugar, com estradinhas e caminhos para outros confins que serão e darão para outros fins, infinitamente........
Ana
Cidade / Convívio / Espaço / Urbanidade
Poema Imbrífero
sábado, 29 de novembro de 2008
RESPONDA THAIS MATSUMOTO!!!!
Thais,gostei muito da poesia que tu escreveu para a foto de meu avó,poderia publica-lá aqui,para elas entrarem em confronto,a sua e a minha rsrsrsrs bjssss
A imagem do som
Reagem contra o silêncio
Um violino cheio de grima
Com seu arco de crina
Nitria por nitrogênio
“A morte nivela todos os homens”
Aqui jaz o jazz
Seguia Séguier
Semifusas que intervéns
Semínimas com fiúza da música que sobreviveu
Nos fiúsas long-plays
Longeva placidez
Plangente escarcéu
O ouvido Ovidiano
Ouriça e causa ourama
Ouça a ouça
Atença atenção
A orelha com gelha
A relha
Por influência de Van Gog
Ototomia aconselha.
Ednei Pereira Rodrigues
Não sou de fazer isso,mas sei lá porque resolvi fazer nessa,NÃO
SE ACOSTUMEM!!!!
Glosas: Sobre a frase na 5 linha:“A morte nivela todos os homens” frase de Pierre Séguier (1588 - 1642) foi um nobre francês. Um dos homens mais poderosos de seu tempo, ocupou o cargo de Chanceler de França.
Ovidiano: de Ovídio,Publius Ovidius Naso (Sulmo, 20 de março de 43 a.C. — Tomis, 17) foi um poeta latino, é mais conhecido nos países de língua portuguesa por Ovídio.
Vivia uma vida boêmia, sendo admirado como um grande poeta. No ano 8, foi banido de Roma pelo imperador Augusto por causa de seu livro A Arte de Amar (Ars Amatoria), considerada imoral por Otávio Augusto, o que lhe causou um profundo desgosto até o final de sua vida. Foi nessa época que Ovídio escreveu a sua obra mais famosa: Metamorfoses
fiúza e fíusas não são erros de digitação ou neologismos são PARÔNIMOS!!!!o resto não vou traduzir...
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
um texto fresquinho pra vocês
P.S. Eu nem passei o revisou de texto, se errei alguma coisa muito feio a culpa é do horário....

- Vô, me conta uma história?
- Conto sim, que tipo de história você quer Aninha?
- A vô, eu quero uma de amor...
- Tudo bem, tudo bem, eu conto uma de amor pra você, e essa é uma das mais antigas que eu conheço:
O corpo movia-se lentamente, em um movimento quase cíclico, conhecido, mas não rotineiro, digno de um dançarino profissional, e a borboleta, como que acompanhante, dama, dançante, seguia o movimento em seu exato oposto, como uma réplica, como o outro lado de um espelho invisível, imitando a suavidade dos gestos.
Assim como Apolo e Diana antes do primeiro eclipse das eras, seu encontro parecia relutante, impossível, e sua eterna dança forçada a repetir aqueles segundos mágicos sem entretanto nunca se encontrarem para chegar ao apogeu do espetáculo. Mas efêmeros em preocupações, ambos, homem e borboleta seguiam seu ritmo marcado ao som da doce melodia das horas.
Breve, mas não ansiosamente esperado, o Sol limpou do céu as estrelas coadjuvantes e invejoso raiou seu dia para os homens, mas homens, tolos e sábios apaixonaram-se pelo impossível e encantados esperavam a esperança de seus conflitos nascerem do improvável toque do homem com a borboleta. E foi com calor no coração que os homens então voltaram para suas famílias aquele dia.
Mas o homem da borboleta não voltou, e não sentiu a queda da temperatura. Seu olhar se encontrava distante, mais distante do que qualquer outro olhar do homem já havia estado e ainda assim o que mirava estava a poucos centímetros de seu rosto, a beleza. Ele mirava a beleza da borboleta e a cada novo relance captado apaixonava-se novamente, incansavelmente e prosseguia a dança, dia após dia.
Houve tempo em que até os animais detinham-se para ver o espetáculo, espantados em ver aquela dança, bela, provocante, e brincavam com a idéia do possível alem do imaginável, e eles também se sentiam em parte dançarinos, leves e belos, a bailar com suas vidas e desejos, encontrando inspiração para seus instintos e melodia para o seu viver.
Invejoso da beleza que inspiravam na sua dança, Apolo uma noite aproximou-se do homem e lhe sussurrou, quase tão devagar quanto os movimentos da dança que tentava interromper:
- Vede tua borboleta Icáro, vede como ela tem marcas em suas asas, como se fossem as cicatrizes de um antigo ferimento, vede como ela perde o brilho quando não refletida na luz da lua, vede que sois para ela nada mais que mais um humano. Queres ela tanto assim? Tome-a, segure-a em tuas mãos e não deixe com que nunca mais voe.
Mas Icáro nem por um momento alterou sua dança e ignorou as advertências do ciumento Deus Sol, que insatisfeito transformou-se em um pássaro e na língua dos seres alados foi então ter com a borboleta:
- Amiga de asa, que fazes aqui junto a esse humano? Você já andou com humanos antes lembra-se, foi assim que conseguiu essas horríveis cicatrizes. Porque não faz como eu que sou livre e belo, e livre-se dessa dor e desses homens.
E a borboleta sentiu o peso das verdades que o Deus disfarçado havia lhe dito e lembrou-se de um passado não tão distante, onde da mesma forma se aproximara de um humano que lhe prometera tudo pelos olhos, mas que com as mãos havia ferido tão profundamente suas asas, e por um momento a tristeza ocupou seu coração, e vendo isso os olhos do pássaro - apolo brilharam mais forte.
Uma nuvem de chuva se formou sobre os dançarinos e com o peso das memórias da borboleta pesadas lágrimas de chuva despencaram do céu enegrecido criado pelo perverso Deus. A borboleta assustada então fugiu na vastidão do infinito. Fugiu por horas da chuva e por dias do homem, que ignorante de sua história continuava a dançar na esperança de que quando a chuva cessasse voltaria a vê-la.
A dor, tanto nos homens quanto nos bichos não é fácil de se tratar, de se curar e a borboleta sentia isso a cada dia que passava separada de seu homem e de sua dança, perdida nas horas silenciosas da solidão, vagando de oásis em oásis em busca da paz que deixara lá com o homem na hora em que decidiu fugir, e foi num desses oásis que um bondoso riacho falou á borboleta:
- Tu tens belas cores borboletinha e mais encantos nessas duas asas que eu em toda a minha extensão, mas sou mais feliz que ti porque sigo meu destino em rumo ao mar enquanto você foge do teu destino e da tua dança só porque o medo assim te aconselhou. Nunca ouviste borboletinha que o medo é um mau conselheiro? Nunca reparaste que depois do caminho de espinhos é que a beleza da rosa aparece? Tu talvez não assim o saiba, mas teu homem, inconsolável homem,que dançou a tua espera por dias até que a fome lhe tolheu o espírito, sabe dessas verdades, e em busca de ti pediu emprestado o meu das abelhas e as penas dos pássaros para fabricar para si, pobre criatura, asas, e agora alça vôo entre os alados para te procurar.
Enquanto isso Icáro em suas asas já havia percorrido com os olhos até o horizonte e voltado, e não encontrando sua intocada companheira angustiava-se demasiadamente. Seus pensamentos eram sombrios e os conselhos do medo novamente se fizeram ouvir nessa triste história. Agora ele estava determinado que a busca por sua borboletinha valia mais que qualquer outro risco que já correra e, esquecendo-se, ou fingindo esquecer-se das recomendações do pai, partiu em direção ao Deus Sol a fim de inqueri-lo sobre o paradeiro de sua pequena amada.
A partir de agora a história tem vários finais, todos tão possíveis quanto a história em si, mas gosto de acreditar que a borboletinha começou a sentir um pouco do que o homem sentia por ela, e vendo a desengonçada figura dele voar no horizonte canalizou toda a dor que sentia para as pequenas asas, e vencendo a barreira do medo atingiu o homem justamente no momento em que suas asas começaram a derreter.
Desesperada a borboletinha pranteou a pele já meio queimada de Icáro e sua queda eminente e num misto de raiva e dor gritou em sua direção em uma língua híbrida, tanto humana quanto dos bichos para que pudesse entender: - Tolo! Porque fizeste isso???
E enquanto caia o humano respondeu:- Porque eu queria te ver.
- E é assim que a história acaba vô?
- A maioria das pessoas diz que sim Aninha, mas eu acredito em outra coisa... Eu acredito que enquanto ele caia, a Deusa Athena se apiedou dele e colocando os dois no chão, curou-lhes as feridas e transformou a borboleta em uma linda mulher, e quando acordaram, Icáro reconheceu no corpo da mulher sua borboletinha e ela por sua vez reconheceu a ele.
- E eles viveram felizes para sempre?
- Bom aninha, isso eu já não sei. Você tem que entender que finais felizes não vem prontos, mas são construídos no dia a dia. Mas eu me lembro da expressão no rosto de Icáro enquanto ele se perdia nos olhos escuros daquela mulher borboleta e era mais bonito que a dança porque dessa vez eles enfim se tocaram, e se o que eu vi aquele dia continua até hoje, bem, então eles são felizes para sempre...
- Você tava lá vô?- Tava Aninha, mais isso é outra história...
Will.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Bons Amigos
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir. Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende. Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar. Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende. Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar. Porque amigo sofre e chora. Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade. Porque amigo é a direção. Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros. Porque amigos são herdeiros da real sagacidade. Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
Pessoal,
aqui está apenas uma parte de agradecimento de todas essas 5ºfeiras que passamos juntos, demos risadas, conhecemos um pouco mais o ser humano, o que podemos agregar de cada um como "roupas suicidas", "ainda existe homem romântico no mundo", "isso é uma prosa, né Maysa!" "casal, homem-mulher, esposo-amante, amante-esposa...que confusão!" "as palavras dificieis do Ednei rs!!-cultura 100%" "MST - não pode ser!!!"entre outros momentos que compartilhamos juntos.
Amei poder fazer parte dessa equipe e desejo encontralos mais vezes, um ponto que levanto e carrego a bandeira é de ter essa oficina parte 2, de podermos nos rever as 5ºfeiras de novo, com novos temas e talves novos agregados rs, mas os antigos continuando. Outra bandeira é de continuarmos postando mesmo quando as aulas acabarem.......esse é nosso ponto de encontro, então devemos voltar sempre e postar e comentar POR FAVOR hein!!!!!!!!!!!
Obrigada pelo conhecimento agregado.
Beijos a todos.
Amandinha
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
1. Lápis de cor vermelho. Bastão cilíndrico ou paralelepípedico com o centro de grafite e pigmento vermelho, utilizado para grafar superfícies com a cor vermelha. 2. Texto que aspiram e inspiram sentimentos, do belo e visceral. Escrito a lápis vermelho. 3. Código secreto em algumas sociedades para textos da Maysa.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
clichês para São Paulo
em desvarios, paulicéia fez-se,
em homenagem aos que
sem-teto abriga,
como mátria desvalida.
Caos-óticas-urbanas,
transe em trânsito frenético,
entre roncos de motores
e metálicos sinistros,
soam vozes em dissabores.
Contrastes nos rodeiam,
paradoxos sem-tidos,
bela e feia, com certeza,
amo-a e odeio.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Fim da guerra no Iraque!
http://www.abril.com.br/noticias/diversao/grupo-falsifica-new-york-times-anuncia-fim-guerra-iraque-178653.shtml
Abraço a todos e até semana que vem!
domingo, 16 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
Bonjour mon amis!
Tava pensando, super chato esse lance de não ter aula nessa quinta... deviamos fazer algo já que é feriado mesmo né???
Alias, porque a gente não faz? Vamos postar sugestões do que fazer até terça feira e depois decidimos, quem sabe não rola algo???
De qualquer forma, na quarta feira dia 19 vai ter um evento de um amigo meu na livraria Cultura, ali no conjunto nacional (Paulista, pra quem anda de metro fica super facil)e é a noite e, pra completar eu vou estar lá... assistindo claro, sem nenhuma participação, mas mesmo assim estarei... quem quer ir junto???
O link do evento segue abaixo... sei que talvez nem todos gostem da tematica, mas o pessoal que vai dar o workshop é muito legal e em sua maioria todos escritores - caso isso faça alguma diferença...
http://cantodooraculo.files.wordpress.com/2008/11/conv02.jpg
Vejo vocês lá e/ou em qualquer outro lugar que for sugerido
Abraços a todos e continuem a comentar hein... tem um monte de post sem comentário ainda.
Will.
SUGESTÕES
Pegue num jornal.Pegue numa tesoura.Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pretende dar ao seu poema.Recorte o artigo.Em seguida, recorte cuidadosamente as palavras que compõem o artigo e coloque-as num saco.Agite suavemente.Depois, retire os recortes uns a seguir aos outros.Transcreva-os escrupulosamente pela ordem que eles saíram do saco.O poema parecer-se-á consigo.E você será um escritor infinitamente original, de uma encantadora sensibilidade, ainda que incompreendido pelas pessoas vulgares.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Recado ao Senhor 903 - Rubem Braga
Vizinho,
Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal - devia ser meia-noite - e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 - que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão; ao meu número) será convidado a se retirar às 21 :45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas - e prometo silêncio.
...Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: "Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou". E o outro respondesse: "Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela".
E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
A crônica que foi comentada em sala pelo - se me permite - Professor Danilo.
realmente muito boa!
:D
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Video sobre a construção da beleza
Abraços a todos
Will.
http://br.youtube.com/watch?v=oPyINkDU9rA
aula 04 (excertos)
O sentimento dum ocidental - Cesário Verde
A Guerra Junqueiro
I - AVE-MARIA
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.
O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.
Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madri, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!
Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.
Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.
E evoco, então, as crônicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!
E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.
Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!
Vazam-se por arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.
Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção!
II - NOITE FECHADA
Toca-se às grades, nas cadeias. Som
Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!
O aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças,
Bem raramente encerra uma mulher de “dom”!
E eu desconfio, até, de um aneurisma
Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes;
À vista das prisões, da velha Sé, das Cruzes,
Chora-me o coração que se enche e que se abisma.
A espaços, iluminam-se os andares,
E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos
Alastram em lençol os seus reflexos brancos;
E a Lua lembra o circo e os jogos malabares.
Duas igrejas, num saudoso largo,
Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero:
Nelas esfumo um ermo inquisidor severo,
Assim que pela História eu me aventuro e alargo.
Na parte que abateu no terremoto,
Muram-me as construções retas, iguais, crescidas,
Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,
E os sinos dum tanger monástico e devoto.
Mas, num recinto público e vulgar,
Com bancos de namoro e exíguas pimenteiras,
Brônzeo, monumental, de proporções guerreiras,
Um épico doutrora ascende, num pilar!
E eu sonho o Cólera, imagino a Febre,
Nesta acumulação de corpos enfezados;
Sombrios e espectrais recolhem os soldados;
Inflama-se um palácio em face de um casebre.
Partem patrulhas de cavalaria
Dos arcos dos quartéis que foram já conventos:
Idade Média! A pé, outras, a passos lentos,
Derramam-se por toda a capital, que esfria.
Triste cidade! Eu temo que me avives
Uma paixão defunta! Ao lampiões distantes,
Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes,
Curvadas a sorrir às montras dos ourives.
E mais: as costureiras, as floristas
Descem dos magasins, causam-me sobressaltos;
Custa-lhes a elevar os seus pescoços altos
E muitas delas são comparsas ou coristas.
E eu, de luneta de uma lente só,
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados:
Entro na brasserie; às mesas de emigrados,
Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.
III - AO GÁS
E saio. A noite pesa, esmaga. Nos
Passeios de lajedo arrastam-se as impuras.
Ó moles hospitais! Sai das embocaduras
Um sopro que arrepia os ombros quase nus.
Cercam-me as lojas, tépidas. Eu penso
Ver círios laterais, ver filas de capelas,
Com santos e fiéis, andores, ramos, velas,
Em uma catedral de um comprimento imenso.
As burguesinhas do Catolicismo
Resvalam pelo chão minado pelos canos;
E lembram-me, ao chorar doente dos pianos,
As freiras que os jejuns matavam de histerismo.
Num cuteleiro, de avental, ao torno,
Um forjador maneja um malho, rubramente;
E de uma padaria exala-se, inda quente,
Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.
E eu que medito um livro que exacerbe,
Quisera que o real e a análise mo dessem;
Casas de confecções e modas resplandecem;
Pelas vitrines olha um ratoneiro imberbe.
Longas descidas! Não poder pintar
Com versos magistrais, salubres e sinceros,
A esguia difusão dos vossos reverberos,
E a vossa palidez romântica e lunar!
Que grande cobra, a lúbrica pessoa,
Que espartilhada escolhe uns xales com debuxo!
Sua excelência atrai, magnética, entre luxo,
Que ao longo dos balcões de mogno se amontoa.
E aquela velha, de bandós! Por vezes,
A sua traîne imita um leque antigo, aberto,
Nas barras verticais, as duas tintas. Perto,
Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses.
Desdobram-se tecidos estrangeiros;
Plantas ornamentais secam nos mostradores;
Flocos de pós-de-arroz pairam sufocadores,
E em nuvens de cetins requebram-se os caixeiros.
Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes
Os candelabros,como estrelas, pouco a pouco;
Da solidão regouga um cauteleiro rouco;
Tomam-se mausoléus as armações fulgentes.
“Dó da miséria!... Compaixão de mim!...”
E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
Pede-me sempre esmola um homenzinho idoso,
Meu velho professor nas aulas de Latim?
IV - HORAS MORTAS
O teto fundo de oxigênio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-se a quimera azul de transmigrar.
Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.
E eu sigo, como as linhas de uma pauta
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!
Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.
Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nômadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!
Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir, estrangulados.
E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.
Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.
E os guardas, que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, os imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas.
E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!
À une passante - Charles Baudelaire
La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d’une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l’ourlet;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l’ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair... puis la nuit! - Fugitive beauté
Dont le regard m’a fait soudainement renaitre,
Ne te verrai-je plus que dans l’éternité?
Ailleurs; bien loin d’ici! Trop tard!Jamais peut-être!
Car j’ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
O toi que j’eusse aimée, ô toi qui le savais!
A uma passante - trad. Paulo Menezes
A rua em derredor era um ruído incomum,
longa, magra, de luto e na dor majestosa,
Uma mulher passou e com a mão faustosa
Erguendo, balançando o festão e o debrum;
Nobre e ágil, tendo a perna assim de estátua exata.
Eu bebia perdido em minha crispação
No seu olhar, céu que germina o furacão,
A doçura que embala o frenesi que mata.
Um relâmpago e após a noite! — Aérea beldade,
E cujo olhar me fez renascer de repente,
So te verei um dia e já na eternidade?
Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente!
Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais,
Tu que eu teria amado — e o sabias demais
A uma passante - trad. Marco Antonio Frangiotti
A rua ensurdecedora ao redor de mim agoniza.
Longa, delgada, em grande luto, dor majestosa,
Uma mulher passa, de uma mão faustosa,
Soerguendo-se, balançando o festão e a bainha;
Ágil e nobre, com sua perna de estátua.
Eu, embevecido, inquieto como um extravagante,
Em seus olhos, o céu lívido onde se oculta o furacão,
A doçura que fascina e o prazer que destrói.
Um clarão... depois a noite! - Beleza fugidia
Cujo olhar me faz subitamente renascer,
Não te verei senão na eternidade?
Alhures; bem longe daqui! Muito tarde! Jamais talvez!
Pois ignoro onde tu foste, tu não sabes onde vou,
Ah se eu a amasse, ah se eu a conhecesse!
A UMA PASSANTE PÓS-BAUDELAIRIANA - Carlito Azevedo
2ª versão (1995)
1.
sobre
esta pele branca
um calígrafo oriental
teria gravado sua escrita
luminosa
— sem esquecer entanto
a boca: um
ícone em rubro
tornando mais fogo
suor e susto,
tornando mais ácida e
insana a sede
(sede de dilúvio)
2.
talvez um
poeta afogado num
danúbio imaginário dissesse
que seus olhos são duas
machadinhas de jade escavando o
constelário noturno:
a partir do que comporia
duzentas odes cromáticas
— mas eu que venero (mais que o ouro-verde
raríssimo) o marfim em
alta-alvura de teu andar em
desmesura sobre uma passarela de
relâmpagos súbitos, sei que
tua pele pálida de papel
pede palavras
de luz
3.
algum
mozárabe ou andaluz
decerto te dedicaria um
concerto
para guitarras mouriscas
e cimitarras suicidas
(mas eu te dedico quando passas
no istmo de mim a isto
este tiroteio de silêncios
esta salva de arrepios)